A fé é mais consoladora que a mera perspectiva do esforço coletivo, da responsabilidade social, do enfrentar os problemas de frente sem salvadores míticos.

Petrucio Chalegre

petrucio chalegre

Parnell na Irlanda. Barba Roxa na Alemanha. D. Sebastião em Portugal. Personagens que representaram uma tal esperança que a alma de seus povos os quis imortais. Morreram em circunstâncias obscuras, e como D. Sebastião, talvez trespassado por cimitarras mouras, permaneceram assombrando os que os idolatravam. Passavam-se as décadas, e sonhava-se a cada infortúnio, que seus vultos gloriosos ressurgiriam das brumas do passado, salvando, resgatando, plenos de justiça e sabedoria.

Ficaram maiores do que haviam sido em vida. Magnificados pela imaginação, vestidos com as roupagens de uma esperança que não podia mais ser conspurcada pela dura realidade. Tão marcante foi este sentimento, que em língua portuguesa passou a chamar-se de sebastianismo este desejo mítico de reencarnar uma esperança que se desfizera em pó.

Tristemente o marxismo destruiu suas figuras heróicas. Uma a uma foram despejadas de seus pedestais por novos líderes, estes sim, mais marxistas, mais justos, desnudadores da impostura anterior, até que fossem por sua vez depostos por novos sucessores e por sua vez enxovalhados. Resta ainda Fidel Castro, “O Eterno”, aguardando que sua tirania, sua ditadura que ajoelhou seu povo na miséria, seja, por sua vez despida de glória pelos cubanos que revisarem sua história.

Mas a cada tropeço, caracteristicamente, levantam-se os sebastinistas do marxismo a invectivar a liberdade. Ora é o capitalismo, que “só visa lucro”, esquecendo que só ele produziu sociedades afluentes. Ora é a democracia, que permite que os que não conhecem a história e as leis econômicas votem, preferiam um partido único e um grupo iluminado decidindo o que é melhor para o povo. Ora é a empresa privada, que manietada por governos que tudo querem decidir hesita em investir, preferiam a empresa estatal.

Quando criticam os problemas que o mundo enfrenta, põem a culpa na liberdade capitalista. Qual a alternativa que propõem nunca expressam. É que ela é a estatização, com seus cabides de emprego, ineficiência, falta de agilidade e subordinação aos interesses políticos.

É o emprego da força bruta e da coerção política, subordinando tudo a um aparelhamento do que reste aos propósitos do grupo no poder.

Estas soluções, que não verbalizam quando criticam, foram os grandes fracassos da humanidade, e os exemplos estão à volta de todo o globo, países esfacelados, povos que perderam sua capacidade de iniciativa. E a cada problema que enfrentamos escrevem saudosos: – Ah! Quem dera que ressurgisse D. Marxismo e nossas esperanças… E muitos acreditam. A fé é mais consoladora que a mera perspectiva do esforço coletivo, da responsabilidade social, do enfrentar os problemas de frente sem salvadores míticos.

Pessoalmente creio que há enorme caminho ainda a ser percorrido e que um novo tipo de empresa está apenas no nascedouro e que teremos com este movimento um aperfeiçoamento de toda a espécie humana.

2017-05-05T20:16:51+00:00 outubro de 2016|Sem categoria|0 Comentários
Petrucio Chalegre
Especialização em marketing e processos gerenciais de equipes comerciais. Implantou pessoalmente sistemas comerciais em mais de 60 empresas, integrando recursos humanos e estratégias de marketing e negócios. Autor do livro “O Princípio dos Interesses Coincidentes”, é experiente palestrante e conferencista. Fundador da Prajna Consultoria, é seu diretor-presidente desde 1993.